Artesanato
Rico em belezas naturais, Sergipe é, também, o berço de magníficas manifestações de arte popular. É uma grande pluralidade de produção artesanal, fruto de mãos de gente simples, que, com dedicação e amor a arte, valendo-se de técnicas arcaicas, passadas de pais para filhos, cria e recria belíssimas peças, transformadas em fonte de renda e em elemento de identidade sócio-cultural. Os artesãos produzem as mais diversas peças com destaque para a renda irlandesa em Divina Pastora, as rendas de bilro em Poço Redondo e bordado tipo richelieu em Tobias Barreto; a cerâmica em Santana do São Francisco, Simão Dias e Itabaianinha; o artesanato em palha nos municípios de Brejo Grande, Pacatuba e Pirambu; a produção em papel no município de Cumbe; as bonecas de pano de Nossa Senhora das Dores; além dos artistas que se destacam isoladamente em todo o estado.
Rendas Uma das maiores expressões do artesanato sergipano é renda irlandesa de Divina Pastora, que exige mão-de-obra bem treinada, cuidadosa e paciente e tem como maiores expressões Dona Alzira e Dona Zu. Originária da Itália, a renda teve sua tradição mantida nos conventos da Irlanda, de onde se difundiu para diversas partes do mundo, sendo desenvolvida com uma técnica única em Divina Pastora. Caracterizada pelo uso de lacê, um cordão sedoso e elaborada com linha e agulha, a renda obteve destaque nacional também no mundo da moda no ano passado em um desfile no Centro Cultural de Moda de São Paulo, quando o estilista Altair Santos criou vestidos longos e espartilhos com os bordados. Em Poço Redondo, o destaque é para as rendas de bilro produzidas por idosas do município, com idades entre 65 e 87 anos. Como o nome sugere, o instrumento utilizado para a execução deste tipo de renda são os bilros, peças de madeira que não excedem a 15cm, compostas de uma haste com a extremidade em forma de bola. O rechilieu é encontrado em Tobias Barreto, onde bordadeiras nos povoados produzem o rechilieu bastante comercializados na sede do município. A produção do bordado começa com os desenhadores e estampadores. É então que os tecidos seguem para as bordadeiras acompanhadas de uma chapa com as indicações das cores e pontos a utilizar.
Cerâmica Santana do São Francisco, antiga Carrapicho, é considerada a capital sergipana do barro por ter a produção de cerâmica como sua principal atividade econômica e tem como principais artesãos Beto Pezão, Cachoba, Cristina Francisca Pires, Zé de Flora, Edilson Fortes e Pedro das Pedras, que criam obras de arte que encantam os visitantes da cidade. O artesanato absorve cerca de 70% da mão-de-obra local. É difícil encontrar um fundo de quintal onde os moradores não fabriquem peças de barro. Os que não têm valor artístico para criar verdadeiras obras-primas, fazem jarros, moringas, animaizinhos. A cerâmica é produzida também em diversas partes do estado, destacando-se os artesãos dos municípios de Simão Dias, que utilizam uma técnica a mão, caracterizada pela rusticidade e Itabaianinha tem o artesão Nem como a maior expressão, com suas peças utilitárias, inspiradas na cultura indígena.
Palha Sergipe tem uma expressiva produção de artesanato de palha, que se concentra principalmente nos municípios de Brejo Grande, Pacatuba e Pirambu, localizados no Nordeste do estado. Na região é possível encontrar o material em abundância, já que possui vastos coqueirais. Com mãos hábeis, os artesãos traçam a palha que aos poucos vai tomando formas variadas como cestos, chepéus, abanadores, entre outros.
Artesanato alternativo Mas não é só com material tradicional que se produz o artesanato no estado. No município de Cumbe, existe o primeiro grupo de produção de papel reciclado conhecida como Tudo Encaixa. O trabalho coletivo prioriza a reutilização das sobras de papel das instituições públicas, incluindo revistas e jornais velhos, que são transformados em objetos utilitários e decorativos. As peças elaboradas pelo grupo de artesãos de Cumbe chamam a atenção do consumidor pelo baixo preço e pela boa qualidade. Vale à pena ainda destacar as bonecas de pano de Nossa Senhora das Dores, confeccionadas à mão por um grupo de idosas. Elas criam bonecas de diversos tipos, sejam elas grandes, pequenas, coloridas e tem também diversas peças em homenagems a presonagens do cotidiano do agreste sergipano como Lampião e Maria Bonita, o vaqueiro, o casal de noivos, entre outros.
Artistas em destaque Sergipe tem ainda artistas de destaque no trabalho cuidadoso em diversos tipos de artesanado. Autodidatas, na sua maioria, aperfeiçoando no dia-a-dia seus trabalhos, os artistas populares têm características próprias, facilmente identificadas nos traços artísticos de suas obras. São famosas as esculturas de Pedro José da Silva,o Ará; Cícero Alves dos Santos, conhecido como Véio, que entrou no Guiness Book dos recordes, sendo da sua autoria a menor escultura em madeira; e Jorge Alves Siqueira, o Zeus. Tem ainda Júnior que elabora personagens do cotidiano do sertanejo em ferro; Mestre Antônio e Pinto, que transformam madeira bruta nas mais diversas obras de arte; Dona Judith com suas imagens sacras em barro; Wilton que elabora belíssmas peças como peixes e crustáceos e Gonzaga com suas redes de tear.
Mercados e artesanatos em Sergipe
A restauração do centro histórico de Aracaju, inclusive dos mercados Antônio Franco e Thales Ferraz, representa um avanço na questão do Patrimônio Cultural em Sergipe. Os antigos mercados Antônio Franco, construído em 1926, e Thales Ferraz, inaugurado em 1949 foram recentemente recuperados mantendo o projeto original e transformados em centros comercial e cultural, onde estão expostas peças de artesanato de artistas sergipanos, restaurantes e bares. O artesanato sergipano é passado de pai para filho. Esse tipo de trabalho manual exige dedicação e paciência, conservando assim as raízes de seu povo. Os famosos artigos de renda irlandesa produzidas pelas mulheres sergipanas, há mais de 100 anos, está cada vez mais restrito, devido ao preço alto das linhas e a falta de incentivo. Essa técnica trazida pelas missionárias européias já foi uma grande fonte de sustento. Os objetos de cerâmica também merecem destaque no artesanato sergipano. Desde o preparo da matéria-prima até o acabamento final, o artista utiliza uma técnica secular, resistindo à "era da tecnologia". A palha é utilizada para fazer cestos, bolsas e chapéus, a fibra é retirada da própria vegetação da cidade e é facilmente encontrado no Norte e no Sul do Estado. A escultura em madeira é outra obra de arte de extrema importância em Sergipe. Os artesãos sergipanos tendo suas próprias características e fazem reproduções de personagens nordestinos, de imagens sacras e de brinquedos decorativos. s O artesão José Roberto de Freitas, o Beto Pezão, ficou conhecido por retratar em suas esculturas de barro o povo do sertão nordestino com pés grandes. Já o artesão Cícero Alves dos Santos, o Véio, ficou mais conhecido depois que entrou para o Guiness Book, por ter confeccionado a menor escultura em madeira do mundo.
Fonte:
- http://www.aracaju.com - http://www.se.gov.br - http://www.vivabrazil.com - http://www.viajesergipe.com.br - http://www.aracajunet.hpg.ig.com.br - http://www.guiasergipano.com.br - http://www.senado.gov.br - http://graccho.com.br - http://www.precaju.com.br - http://http://www.emsetur.com.br - IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) |