Folclore
Sergipe guarda em sua história e tradição muito das culturas indígena, portuguesa e negra e um dos mais ricos folclores do Brasil. São inúmeras as manifestações culturais que nos remetem ao passado e garantem, no presente, uma permanente interação entre as mais diversas comunidades responsáveis pela continuidade do nosso folclore. A seguir, você fará uma viagem pelo que há de mais belo na cultura popular sergipana, destacando-se a cidade de Laranjeiras que concentra, até hoje, o maior número de manifestações folclóricas do Estado, muitas das quais já extintas no resto do país.
Reisado
O Reisado, de origem ibérica, se instalou em Sergipe no período colonial. É uma dança do período natalino em comemoração do nascimento do menino Jesus e em homenagem dos Reis Magos. Antigamente era dançado às vésperas do Dia de Reis, estendendo-se até fevereiro para o ritual do “enterro do boi”. Atualmente, o Reisado é dançado, também, em outros eventos e em qualquer época do ano. A cantoria começa com o deslocamento do grupo para um local previamente determinado, onde é cantado “O Benedito”, em louvor a Deus, para que a brincadeira seja abençoada e autorizada. A partir daí, começam as “jornadas”. O enredo é formado pelos mais diversos motivos: amor, guerra, religião, história local, etc., apresentado em tom satírico e humorístico, originando um clima de brincadeira. O Reisado é formado por dois cordões que disputam a simpatia da platéia e são liderados pelas personagens centrais: o “Caboclo” ou “Mateus” e a “Dona Deusa” ou “Dona do Baile”. Também se destaca a figura do “Boi”, cuja aparição representa o ponto alto da dança. Os instrumentos que acompanham o grupo são violão, sanfona, pandeiro, zabumba, triângulo e ganzá. O Reisado tem como característica o uso de trajes de cores fortes e chapéus ricamente enfeitados com fitas coloridas e espelhinhos. |
Taieiras As Taieiras, grupo de influência africana e forte característica religiosa, tem, também, seu lado profano. Sob o aspecto religioso, o objetivo da Taieira é a louvação, dirigida a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito, ambos padroeiros dos negros no Brasil. Em Laranjeiras, o festejo é ponto alto das comemorações do Dia de Reis. O momento da coroação da "Rainha das Taieiras" ou "Rainha do Congo" é o ápice da festa, realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Durante a missa, a coroa da santa é retirada e colocada na cabeça da “Rainha”. Tocando quexerés e tambores, as Taieiras - trajando blusa vermelha e saia branca cortada por fitas coloridas -, seguem pelas ruas da cidade cantando cantigas religiosas. Faz parte do roteiro a passagem pelo rio, onde Iemanjá é louvada, fato ligado ao sincretismo religioso entre a Igreja Católica e os rituais afro-brasileiros. Em Sergipe podemos encontrar as Taieiras nos municípios de Laranjeiras e Japaratuba. |
Lambe-Sujo e Caboclinho São dois grupos folclóricos unidos num folguedo que se baseia no episódio da destruição dos quilombos. O grupo dos Lambe-Sujos é formado por meninos e homens totalmente pintados de preto, usando uma mistura de tinta preta e melaço de cana-de-açúcar para ficar com a pele brilhosa. Eles usam short e um gorro de flanela vermelha. Nas mãos, uma foice, símbolo de luta pela liberdade. Fazem parte do grupo o Rei”, a Rainha e a “Mãe Suzana”, representando uma escrava negra. Após uma alvorada festiva, os Lambe-Sujos saem às ruas, acompanhados por pandeiros, cuícas, reco-recos e tamborins, roubando diversos objetos de pessoas da comunidade que são guardados no “mocambo”, armado em praça pública. A devolução dos objetos é feita mediante contribuição em dinheiro pelo proprietário do objeto roubado. Junto com os Lambe-Sujos se apresentam os Caboclinhos, que pintam o corpo de roxo-terra e usam indumentária indígena: enfeites de penas, cocar e flecha nas mãos. A brincadeira consiste na captura a rainha dos Caboclinhos pelos Lambe-Sujos, que fica aprisionada. À tarde, há a tradicional “batalha” pela libertação da rainha, da qual os Caboclinhos saem vitoriosos. O grupo musical que acompanha o folguedo é composto por ganzás, pandeiros, cuícas, tambores e reco-recos. Hoje, a "Festa de Lambe-Sujo", como é conhecida, tornou-se uma das mais importantes da cidade de Laranjeiras, acontecendo sempre no segundo domingo de outubro. |
Cacumbi Não se sabe ao certo a origem do Cacumbi, acredita-se que é uma variação de outros autos e bailados como Congada, Guerreiro, Reisado e Cucumbi. O grupo apresenta-se na Procissão de Bom Jesus dos Navegantes e no Dia de Reis, quando a dança é realizada em homenagem a São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Pela manhã, os integrantes do grupo assistem à missa na igreja, onde cantam e dançam em homenagem aos santos padroeiros. Depois das louvações, o grupo sai às ruas cantando músicas profanas e, à tarde, acompanham a procissão pelas ruas da cidade. Seus personagens são o Mestre, o Contra-Mestre e os dançadores e cantadores; o grupo é composto exclusivamente por homens. Os componentes vestem calça branca, camisa amarela e chapéus enfeitados com fitas, espelhos e laços. Só o Mestre e o Contra-Mestre usam camisas azuis. O ritmo é forte, o som marcante e o apito coordena a mudança dos passos. Os instrumentos que acompanham o grupo são: cuíca, pandeiro, reco-reco, caixa e ganzá. Em Sergipe, o Cacumbi é encontrado nos municípios de Lagarto, Japaratuba, Riachuelo e Laranjeiras. |
Chegança Folguedo popular de origem portuguesa, que, chegando ao Brasil, transformou-se em auto popular pertencente ao ciclo natalino. Durante a apresentação, o grupo conta a história das lutas travadas entre mouros e cristãos, objetivando a expulsão do mouro invasor, e relata acontecimentos ocorridos no mar. A apresentação - culminando na abordagem dos mouros, que são vencidos e batizados -, acontece sempre em frente das igrejas, onde uma embarcação de madeira é montada para o desenvolvimento das jornadas. Os personagens da Chegança usam trajes semelhantes às da Marinha Brasileira, como também a titulação: General, Almirante, Capitão, Tenente, etc., tendo cada um deles uma participação especial no drama. Os Mouros são representados pelo Rei, pela Rainha, Embaixadores e Princesas. A coreografia é acompanhada por quatro ou seis pandeiros que acompanham o coro de vozes. O General, comandando das evoluções, usa um apito para a mudança das marchas. O pandeiro é o principal instrumento de acompanhamento. Bastante teatral, a apresentação completa da Chegança demora, geralmente, 60 minutos e é composta basicamente por duas partes: o cortejo – o deslocamento do grupo para o local da apresentação -, e a parte dramática, composta por diversas encenações. |
Dança de São Gonçalo Dança de origem lusitana, em homenagem a São Gonçalo do Amarante, muito popular em Portugal. Em Sergipe, a dança apresenta-se viva principalmente no povoado Mussuca, no município de Laranjeiras. O grupo dança em festas religiosas e pagamento de promessas. Conta a lenda que São Gonçalo – um frade dominicano que teria vivido no Amarante, no século XII -, teria assumido a missão de converter as prostitutas. Ele tocava viola e dançava com as prostitutas da região, com o intuito de impedi-las de pecar. Quando o frei morreu, foi santificado e a dança inventada por ele para distrair as mulheres do pecado continua sendo realizada até hoje, em sua homenagem. Quando realizada para pagamento de promessas, a dança segue um ritual básico que inclui um almoço oferecido pelo pagador de promessa aos participantes, a procissão e a dança. A dança completa inclui, além do ritual básico, mais sete ensaios. Tendo como personagens o "Patrão" que tira os cânticos e comanda a dança; a “Mariposa" - única mulher participante, que conduz a imagem do santo dentro de uma pequena barca –, os tocadores e os dançadores. A dança é acompanhada por violões, pulés e caixa, tocada pelo "Patrão", que tira o canto e comanda a dança. Enquanto o Patrão traja-se de marinheiro, como alusão a São Gonçalo do Amarante, os dançadores usam trajes femininos: Por cima das calças usam anáguas e saias floridas e um xale colorido enfeitado com fitas. Na cabeça usam turbante branco enlaçado de fitas coloridas. Tocadores e a “Mariposa" não usam roupas especiais. |
Parafusos
Conta-se que no tempo da escravidão, os escravos negros fugitivos saíram à noite para roubar as anáguas das sinhazinhas deixadas no quaradouro. Cobrindo todo corpo até o pescoço, sobrepondo peça por peça, nas noites de lua cheia saíram pelas ruas dando pulos e rodopiando em busca da liberdade. A superstição da época contribuiu para que os senhores ficavam apavorados com tal assombração - acreditando em almas sem cabeça e outras visagens - e não ousavam sair de casa. Após a libertação, os negros saíram pelas ruas vestidos do jeito como faziam para fugir dos seus donos. Nasceram assim os parafusos. Trajando uma seqüência de anáguas, cantarolando, pulando em movimentos torcidos e retorcidos, um grupo exclusivamente de homens – representando os escravos negros – formam o grupo folclórico “Parafuso” da cidade de Lagarto. Os instrumentos que acompanham o grupo são triângulo, acordeom e bombo. |
Cangaceiros Em 1960, Azulão, um dos homens de Lampião, formou um grupo composto de 17 homens e 2 mulheres (representando Maria Bonita e Dadá), vestidos de cangaceiros e, com eles saiu cantando e dançando em ritmo de forró pelas ruas de Lagarto; costume vivo até hoje, revivendo as estórias e histórias de Lampião cantadas e decantadas em prosa e verso. O grupo tem como indumentária chapéus de couro enfeitados, camisas de mangas longas com divisas nos ombros, jabiracas coloridas ou lenço no pescoço, cartucheiras, espingardas e sandálias de couro grosso. Em Sergipe, a manifestação permanece viva nos municípios de Lagarto e Própria. |
Zabumba Zabumba é o nome popular do “bombo”, um instrumento de percussão. O termo, também, é usado para denominar o conjunto musical composta por quatro integrantes, todos do sexo masculino, conhecido como “Banda de Pífanos”. Em Sergipe, as apresentações da Zabumba acontecem em rituais de pagamento de promessas, datas comemorativas, festas religiosas e festivais de cultura popular. |
Guerreiro Auto natalino, que carrega marcas do Reisado. Sobre as origens conta a lenda popular que uma rainha, em um passeio acompanhada de sua criada de nome Lira e dos guardas (Vassalos), conhece a apaixona-se por um índio chamado Peri. Para não ser denunciada, manda matar Lira. Mesmo assim, o rei toma conhecimento do fato e, na luta contra o índio Peri, morre. A dança é composta de jornadas - uma seqüência de cantos e danças -, que são apresentadas de acordo com os personagens de cada grupo, sendo um dos pontos culminantes a luta de espadas, travada entre o Mestre e o índio Peri. Os principais personagens do Guerreiro, além do Mestre – que comanda as apresentações -, e do índio Peri, são: o Embaixador, a Rainha, Lira, o Palhaço e os Vassalos. Os instrumentos que acompanham o grupo são sanfona, pandeiro, triângulo e tambor. Destacam-se os trajes coloridos e ricamente enfeitados. |
Maracatu O Maracatu originou-se da coroação dos Reis do Congo. Não sendo propriamente um auto, não tem um enredo ordenado para sua exibição. Integram ao cortejo real, lembrança da célebre rainha africana Ginga de Matamba, o Rei, a Rainha, o Príncipe e a Princesa, Ministros, Conselheiros, Vassalos, Lanceiros, a Porta-bandeira, Soldados, Baianas e tocadores. E as “Calungas”, bonecos representando Oxum e Xangô. Em geral o cortejo é formado por integrantes negros. Vestidos de cores extravagantes, os participantes do cortejo seguem pelas ruas da cidade cantando e saracoteando, entre umbigadas, cumprimentos e marchas. Não existe uma coreografia especial. Algumas das cantigas são proferidas numa presumível língua africana, tambor, chocalho e gonguê são os instrumentos musicais que acompanham o cortejo. Tendo o Maracatu perdido a tradição sagrada, hoje, é considerado um grupo carnavalesco, de brincadeira s de rua, que, em Sergipe, é encontrado nos municípios de Brejo Grande e Japaratuba. |
Danças e Folguedos do Ciclo Junino
Pisa-Pólvora É um ritual, uma dança folclórica própria do município de Estância. A finalidade maior do Pisa-Pólvora é a preparação da pólvora a ser usada na fabricação.
Sarandaia A Sarandaia é realizada em Capela e abre os festejos juninos da cidade. No dia 31 de maio, à meia-noite, um grupo de moradores sae às ruas dançando ao som de zabumba.
Samba de Coco É uma dança acompanhada de cânticos, de origem africana, ligada à formação dos quilombos, com forte influência indígena.
Bacamarteiros Folguedo popular de origem africana e influência indígena. O primeiro grupo criado foi o do povoado Aguada, no município de Carmópolis, onde a tradição continua viva até hoje. Os Bacamarteiros comemoram a noite de São João com dança, música e muitos tiros de bacamarte.
Dança de São João Folguedo de influência portuguesa e ameríndia, que possui, também, aspectos da cultura negra. O grupo, cujo principal objetivo é o pagamento de promessas na época de São João, saí de casa em casa em direção ao local escolhido, levando uma imagem de São João menino.
Quadrilha A dança surgiu na França, no século XVIII, e chegou ao Brasil no século XIX, com a vinda da Corte portuguesa. Logo, essa dança de salão, típica da nobreza, foi adotada pelo povo brasileiro. |
Fonte:
- http://www.aracaju.com - http://www.se.gov.br - http://www.vivabrazil.com - http://www.viajesergipe.com.br - http://www.aracajunet.hpg.ig.com.br - http://www.guiasergipano.com.br - http://www.senado.gov.br - http://graccho.com.br - http://www.precaju.com.br - http://http://www.emsetur.com.br - IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) |